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Morre aos 83 anos o maestro Nicolau Martins de Oliveira em Volta Redonda

  • Foto do escritor: Lucas Brandão
    Lucas Brandão
  • 27 de dez. de 2025
  • 5 min de leitura

Músico e professor morreu na madrugada deste sábado (27), depois de dedicar mais de seis décadas de vida ao ensino musical no município


Nicolau Martins de Oliveira
Foto: Cris Oliveira (Secom/PMVR)

Um dos mais importantes nomes da cultura, da música e da educação da história de Volta Redonda, o maestro, músico e professor Nicolau Martins de Oliveira morreu na madrugada deste sábado (27), aos 83 anos. Ele foi o idealizador, em 1974, do projeto que veio a ganhar o nome de “Volta Redonda Cidade da Música”, referência na educação musical em todo o país e responsável pela formação de gerações de músicos no município. O velório aconteceu na Capela 4 do cemitério Portal da Saudade, e o enterro foi marcado para as 16h, no mesmo local.


Em seu perfil no Instagram, o prefeito Antonio Francisco Neto prestou homenagem ao maestro Nicolau. “Um homem que deixou marcas pela música, cultura e educação em nossa cidade. Que Deus receba nosso amigo e que possa confortar aqueles que ficaram. Maestro Nicolau segue vivo em seu legado, a cada nota musical que sair do projeto ‘Volta Redonda, Cidade da Música’.”


Parceira há muitos anos do maestro no “Volta Redonda Cidade da Música”, a maestra Sarah Higino deu um depoimento emocionado sobre o companheiro de arte e educação.


“O legado dele não vai ser esquecido; sob sua batuta e seus ensinamentos, milhares de jovens encontraram mais do que o aprendizado da música: encontraram disciplina, cidadania e uma perspectiva de futuro dentro da música. Muitos se tornaram músicos profissionais, de renome, mas acredito que todos, sem exceção, levaram consigo a lição maior do mestre Nicolau, que é a arte, a forma mais pura que a gente tem de servir ao próximo. Foram mais de 51 anos dedicados à Fevre (Fundação Educacional de Volta Redonda), às nossas escolas municipais; trabalhou na Escola Técnica, nas escolas Nossa Senhora do Rosário e Macedo Soares e, por onde passou, foi mais que um professor: foi um semeador de oportunidades. A música nunca foi apenas um fim em si mesma para ele, mas também um instrumento de doação e de transformação social.”


Por meio do perfil da Secretaria Municipal de Cultura (SMC) no Instagram, o secretário Anderson de Souza também se pronunciou, referindo-se a Nicolau de Oliveira como “um verdadeiro ícone da nossa cultura”.


“Maestro dedicado, educador incansável e apaixonado pela música, Nicolau construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com a formação cultural e humana de gerações. Sua vida foi inteiramente dedicada à cultura e à educação, deixando um legado imensurável para a cidade. Que sua história siga inspirando novos caminhos e que sua memória permaneça viva na cultura de Volta Redonda.”


Uma vida dedicada à música e ao ensino


Em entrevista realizada no ano passado, o maestro Nicolau contou sua trajetória. Catarinense de nascimento e volta-redondense de coração, o eterno maestro teve o primeiro contato com a música ainda na infância, ao participar da banda da igreja Assembleia de Deus que frequentava, cantando no coro e tocando trompete. Em casa, a música também era presença constante.


Volta Redonda entrou em sua vida aos 15 anos, em 1958, quando foi aprovado para estudar na Escola Técnica Pandiá Calógeras (ETPC). Mais tarde, como funcionário da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), conheceu o professor e maestro Franklin de Carvalho Jr., de quem foi aluno nos cursos de Teoria e Solfejo, Prática de Banda, Orquestra, Coro e Prática de Ensino, tornando-se posteriormente seu substituto como professor na Escola Técnica e criando a Fanfarra da ETPC.


Nicolau cursou a Escola Nacional de Música da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), com graduação em fagote. Nos anos 1970, foi para os Estados Unidos, onde ampliou seus conhecimentos em várias universidades.


Em 1974, começou a trabalhar na Fevre e retomou as atividades da Banda Marcial, que conquistou diversos títulos. Com o acréscimo de outros instrumentos, ela se tornou a Banda de Concerto da Fevre em 1982. Um ano antes, em 1981, Nicolau Martins criou a Banda Mini, que passou a ser o primeiro contato dos alunos com os instrumentos de percussão e pífaros, estes últimos com curso próprio a partir de 1990, tendo como principal objetivo trabalhar a coordenação motora dos jovens.


O início do sonho


A mais importante realização de Nicolau de Oliveira teve início também em 1974, quando deu começo ao projeto que, mais de três décadas depois, foi batizado como “Volta Redonda Cidade da Música”, fruto de um incansável trabalho de musicalização dos estudantes da rede municipal de ensino. Atualmente, o projeto está presente em mais de 30 escolas municipais de Volta Redonda, atendendo alunos do primeiro ao quinto ano do Ensino Fundamental.


Muitas outras iniciativas vieram depois, como a Banda de Concerto, o Coro Infantojuvenil, os projetos “Volta Redonda Cidade da Música” e “Do Aço ao Clássico”, que reúne todas as apresentações musicais, e a criação da Orquestra de Cordas de Volta Redonda, em 1995. Ela foi antecedida, em 1992, pela Orquestra Sinfônica Embrião de Volta Redonda, com a criação da primeira turma de violinos no mesmo ano, seguida pelas turmas de violas (1993) e violoncelos (1994). Outros frutos desse período foram as orquestras de Violinos e a de Violoncelos e Contrabaixos.


Presença nos maiores palcos


Nicolau de Oliveira e os alunos-músicos de Volta Redonda se apresentaram em algumas das mais importantes salas de espetáculo do país, como o Theatro Municipal, a Igreja da Candelária e a Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro; a Sala São Paulo, na capital paulista; e o Cine-Theatro Central, em Juiz de Fora (MG). Entre seus maiores orgulhos, contou na ocasião, esteve o de reunir mais de duas mil crianças de escolas de 20 cidades do estado do Rio de Janeiro para se apresentarem simultaneamente no Theatro Municipal.


Mais do que alunos


A trajetória do maestro Nicolau ficou marcada, além de suas realizações, pela frase que resume seu amor pela música, pela educação e por Volta Redonda: “No dia em que Volta Redonda for conhecida como a cidade da música, aí então estaremos fabricando o melhor aço do mundo”. Na ocasião da entrevista, ele declarou que podia até estar por fora da realidade do aço, “mas eu sei que estamos fazendo a melhor música”.


“Nós temos músicos formados pelo projeto em várias orquestras do país, como a Sinfônica Nacional, na Banda do Corpo de Bombeiros, da Marinha e na Orquestra de Porto Alegre. Alunos do ‘Cidade da Música’ estão estudando na University of Southern Mississippi, nos Estados Unidos, inclusive um vai fazer doutorado. Nossos alunos aprendem com os melhores professores, e isso faz com que sejam requisitados por várias bandas e orquestras”, disse, acrescentando que sempre manteve como foco o aperfeiçoamento desses jovens como indivíduos, que considerava os filhos que não teve.


“Eu fico feliz com o sucesso deles, pois foi pela música que Deus me deu os meus filhos. Isso me dá orgulho ao ver que eles alcançaram o que eu não consegui. Pelo menos, fui o primeiro degrau da escada de todos eles.”

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